Estarei só?
Hoje, quando cheguei, senti um estranho arrepio. Pela primeira vez estava só. Literalmente.
Um gabinete enorme e lindíssimo. Secretárias, computadores, televisor, jornal diário.
Este, meu, posto de serviço é maravilhoso.
Orgulho-me do que faço. Nada me apraz mais!
"Trabalhei" alguns anos, apenas, com reformados. Não posso considerar trabalho a algo que adoro fazer. Portanto, não trabalhei!!!
Dediquei-me aos reformados. Escutava-os.
Com a reestruturação, surgiram várias alterações na orgânica do serviço.
A secção de reformados passou a ser de todos e para todos, independentemente da situação; reforma, reserva ou ativo.
Apesar de tudo, continuei a dar um "brilhozinho" especial aos que labutaram durante anos, que têm mais anos de experiência de vida: os reformados. Não descurando, claro está, os colegas que, como eu, estão no ativo.
Uma feliz mudança! Passei a privar com todos, constatei rapidamente!
Porém, uma nova alteração surgiu... um colega foi para a reserva. Fui convidada para o seu lugar.
Teria que saír do quartel, onde sempre estivera rodeada de gente.
Iria para a delegação dos serviços sociais. O serviço seria o mesmo, o espaço não.
Um local desejado e tranquilo. Não há fardas. Há sorrisos.
Um pequeno senão: é demasiadamente sereno.
Os colegas com necessidades, destes serviços, deslocam-se cá. Todavia, alguns fazem os seus pedidos por carta, internet, fax, telefone.
É tão impessoal!
Hoje, no quartel, estão poucas pessoas. tenho a certeza!
Cá, somos pouquíssimos e, para minha felicidade, todos simpáticos; sem exceção.
Todavia, uns de serviço outros dispensados. E, ainda, os que estão de férias.
Aqui, hoje, estou somente eu!
Preciso sentir-te, mãezinha!
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