quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Larinha, era uma menina alegre.
Tinha olhos estrelados e cabelos, compridos, cor de luar.
Vivia na Estrela do Norte, e todos os dias esperava pelo seu amigo Miguel, para brincar.
Miguel, vivia na Estrela do Sul, e, era normal vê-lo, todos os dias, sentado na sua estrela à espera do vento para apanhar boleia na sua cauda.
O vento era um velho, rezingão. Poucos gostavam dele, e as nuvens temiam-no!
Não era de admirar que tivessem medo; afinal, quando o vento abria a, enorme, boca fazia tudo rodopiar à sua volta.
As nuvens entrelaçavam-se com receio de se separar. Mesmo assim, o vento levava-as para bem longe umas das outras. Fazia-as correr para terras distantes e para junto do arco-íris.
Queria que as nuvens convivessem com todos os habitantes do espaço. Porém, estas, em vez de lhe agradecerem ficavam cinzentas e tristes.
Depois, eu é que sou ventoso! (pensava o vento), logo eu, que consigo fazer dançar até os pés de chumbo!
Só Miguel e Larinha o compreendiam.
Sempre que o ouvia, assobiar, Larinha acenava-lhe sorridente. Sabia que o seu amigo Miguel estava a chegar, e não tardaria estariam juntos e a brincar.
O vento andava sempre apressado, todavia, arranjava sempre um tempinho para levar os seus amigos, Miguel e Larinha, a passear.
Com os dois em cima da sua cauda, deslizava, suavemente. As folhas das árvores bailavam tranquilas à sua passagem. Era dia de descanso no reino da vegetação e até as nuvens podiam dormir descontraidamente.
Felizes, desceram à praia para correr, apanhar conchas e conversar. Larinha fez colares de contas para oferecer às estrelas do mar. Miguel atirava pedrinhas, para as ver deslizar nas ondas do mar. Enquanto se divertiam a brisa, sem nunca desviar o olhar, com enlevo, cuidava dos seus meninos.
Quando a noite chegava, o vento levava-os de novo a casa.
Miguel e Larinha, a cintilar, adormeciam e sonhavam com beijinhos de sol e abracinhos de luar.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
José Filipe era um rapaz alegre e inteligente.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Contudo, à medida que a juventude se aproximava sentia que lhe faltava algo; não conseguia expressar por palavras o que lhe ia na alma. Gostava de ler e sentia que Vila Real já não lhe chegava. Precisava de mais…
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
A sua entrada na faculdade foi motivo de orgulho para os pais, e a Universidade de Lamego ficava perto de casa. Todavia, a mãe sentia um aperto no peito de cada vez que se lembrava que o filho estava a crescer e já não o conseguiria manter muito tempo junto a si.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
José Filipe gostava de conhecer lugares e culturas diferentes, e não era difícil encontrá-lo a ler, ver documentários na televisão ou a navegar na Internet.
Um dia, durante o jantar, comentou com a família que tinha conhecido Zury pela Internet e que gostaria de a conhecer pessoalmente.
Contou com tal comoção… quem o ouvisse perceberia o que lhe ia no coração… a família sentiu, nesse momento, que nunca o conseguiriam demover da sua intenta, e foi dessa forma que o viram partir.
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
José Filipe nunca trouxera dissabores à família. Fora sempre bom menino, bem educado e nunca reprovara na escola.
No dia da sua partida para a Malásia, não houve quem conseguisse conter as lágrimas. Estas caíam, abundantemente, pelos rostos de todos os que se foram despedir de José Filipe.
- Malásia… Zury… meu amor… já falta tão pouco para estarmos juntos (José Filipe não pensava em mais nada). Todo o pensamento se concentrava no encontro de ambos e tinha a garganta embargada pela ansiedade que sentia.
Quando, por fim, foi anunciada a chegada à Malásia, José Filipe ficou petrificado e não se mexeu mais.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
Hesitantemente desceu do avião, e foi buscar a mala.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Regressou ao país que o viu nascer uns anos mais tarde.
Depois de vários dias de chuva, Vila Real vestiu-se de azul celeste para o receber.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Com José Filipe foram Zury e Andrea, filha de ambos.
Andrea, a princesa! Andrea, fruto do mais puro e belo amor.
José Filipe percorreu metade do mundo para o tornar mais colorido!
Coloriu o mundo com os tons de duas culturas diferentes que se tornaram iguais.
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