I
Há um local…
Ou vários…
Em Portugal…
Por esse mundo fora…
Onde vivem meninos e meninas, como tu, ou se quiseres, como nós!
Só há um pormenor que os distingue de ti, e de todos os meninos e meninas que conheces.
O local onde esses meninos e meninas vivem.
- Consegues imaginar onde viverão?
- Estarás a pensar, por ventura, num local mágico e colorido?!
- Posso garantir-te que, cor há muita! Há cor nos olhos desses meninos e meninas; cor de esperança!
Alguns desses meninos e meninas de que te falo não têm família e outros tiveram que ser retirados aos seus pais, ou mesmo avós, por sofrerem de violência doméstica.
- Já ouviste falar de violência doméstica? Não?!
- Ufa… ainda bem! És um sortudo! (não te esqueças de perguntar a um adulto, para compreenderes o seu significado).
São meninos com sonhos, como qualquer outra criança!
Há meninos que gostam de jogar futebol ou andar de bicicleta. Meninos que gostam de brincar com carrinhos. Há aqueles meninos que gostam de fazer as três coisas!
– E os meninos que querem praticar artes marciais, ou montar a cavalo? Também, os há!
As meninas… Ah!… As meninas!
- Essas! São umas sonhadoras! (Se é que lhes é permitido sonhar, sem que lhes caia uma lágrima).
Sonham (como só as meninas sabem sonhar) que caminham de mãos dadas com os pais, como todas as meninas que veem na escola; que recebem um, enoooorme, sorriso e um chi-coração, bem apertado, quando as levam para casa no final do dia.
Essas meninas gostam de bonecas, de maquilhagem, de fitas, laços e laçarotes. Algumas querem ser bailarinas. Outras desejam uma tiara, simplesmente, para se sentirem princesas ou rainhas no seu castelo encantado.
Esses meninos e meninas têm, apenas, uma televisão na sala. Local onde estão também os poucos livros que existem para ler e viajar.
- Sabias que esses meninos e meninas viajam imenso?
Pois, claro, imaginas que sim! Afinal, nas tuas férias costumas viajar e visitar familiares (como é que eu não tinha pensado nisso)? Bah! Parvoíce minha!
Regressemos ao que te estava a contar!
Esses meninos e meninas fazem viagens fantásticas!
- Acredito piamente, nisso! (pois eu, própria, faço viagens intergaláticas sem sair do meu lugar).
- Grandes sonhadores esses meninos e meninas. Conhecem todo mundo, sem nunca terem saído do mesmo local.
Lembrei-me de uma pergunta: gostas de jogos eletrónicos?
– A maioria desses meninos nunca viu um jogo desses. Inacreditável, não te parece?
- Espera… não tires, já, conclusões precipitadas! Não julgues que esses meninos e meninas não são felizes ou que são uns desgraçadinhos de quem deveremos ter pena… e ficarmos por aí mesmo!
Esses meninos e meninas são muito inteligentes e felizes à sua maneira (se é que há uma maneira para se ser feliz) … Têm sonhos e desejos como tu. A única diferença é que eles esperam por alguém que os vá visitar e que os ame.
- Tu tens quem te ame, e o diga todos os dias, não tens? Tens quem te conforte e te dê presentes. Estarei enganada?!
- Não me enganei? Ainda bem, que não tenho que me preocupar contigo! (tenho mais em que pensar… ora, agora…)
- Alguns desses meninos e meninas andam contigo na escola. É até provável que já tenhas brincado, em algum instante, no parque com algum deles.
- Quando termina a escola e te despedes dos teus amigos e do teu professor, sabes que vais estar com os teus pais ou algum familiar próximo de ti.
- Esses meninos e meninas também vão para casa. Porém, vão para uma casa diferente da tua e da minha. Chamam-lhe Centro de Acolhimento Temporário ou CAT (como lhe queiras chamar).
- Temporário, dizem! Todavia, em muitas situações o sinónimo não se aplica, e esses meninos e meninas ficam lá indefinidamente a crescer e a sonhar.
A esperança espelhada no olhar à espera de serem amados. Enquanto esperam, sonham com aquele brinquedo novo que viram na televisão, ou nas mãos de alguma criança enquanto regressavam da escola para o CAT.
II
A vida ia correndo como todos os dias… (curioso, não é, imaginarmos a vida a correr).
Todavia, um dia uma família apareceu naquele CAT (demorei muito, já sei, só para chegar a este ponto) e mudou a rotina dos meninos e meninas que lá viviam.
O João, a Joana, a Maria e o Francisco.
- Consegues imaginar o que eles levaram?
- Não?
- Pois eu vou dizer-te: levaram risos e sorrisos, muitas e muitas gargalhadas (daquelas bem sonoras, que nos fazem chorar e até doer a barriga de tanto rir).
Uma linda e divertida família! (há quem julgue que o João é palhaço).
- Será? (tenho cá para mim que a sua profissão é outra). Ouvi dizer, por portas travessas, que é da GNR. Huuum… não sei não!
- No tempo dos meus avós, ou seria no tempo dos meus pais (terei assim tanta idade) ouvi falar que os GNR eram muito sisudos. Pelos vistos já não são assim!
Muito se ouve, não é que conheça algum: que são simpáticos e amigalhaços; que gostam de beijos, brincadeiras e abraços.
- Ora bem, desviei-me do que te estava a contar. Voltemos ao que interessa: O João, a Joana e os filhos levaram doze brinquedos novos para as doze crianças que viviam naquele CAT.
Quando se foram embora, saíram mais ricos e felizes do que antes de entrar (dizem eles).
- Eu ainda não vi nada! (é que dá trabalho e aborrecimento quando nos preocupamos com os outros). Ups! (espero que ninguém consiga ler o meu pensamento).
- Nesse, mesmo, dia depois de saírem do CAT decidiram criar uma Rede Informal de Amigos. A Missão RIA! A eles juntou-se o Rião; o peluche da Maria e do Francisco, que se tornou a mascote da Missão.
- E tu, já pensaste em dar um presente, que tenhas arrumado em casa e com o qual já não brinques, a alguma criança que se encontre num CAT? Estás sempre a tempo de fazer sorrir um menino ou menina com o teu gesto!
(os nomes apresentados não são os reais).
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terça-feira, 24 de novembro de 2015
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
CHINESICES?
Não é que seja curiosa... mas que gosto de saber, gosto!!!
Em frente à minha casa há uma horta comunitária.
Sempre que saio ou entro em casa gosto de a admirar e não são raras as vezes que fico "algum tempo" parada a observar.
Há sempre alguém a cuidar do seu espaço, e alguns bem arranjadinhos. Há vegetais e flores, lindo!
Um dos espaços pertence a um senhor chinês, que vive na minha rua, e todos os dias de manhã quando saio para trabalhar vejo-o a cuidar do seu cantinho e a colher os seus vegetais.
Já me tinha questionado, por diversas vezes, que legumes seriam aqueles!? Também perguntei ao meu, querido, marido.
Poderia ter pesquisado na Internet, dizem vocês, e certamente ficaria a saber... é verdade!
Contudo, o que fiz hoje, quando ia a caminho do comboio, foi o seguinte:
Vi o senhor, chinês, a sair, calmamente, da sua horta com uma braçada de legumes; abrandei ligeiramente o passo e não é que "sem querer" me cruzei com ele.
Desejei-lhe bom dia, faz parte da boa educação. O senhor sorriu e eu perguntei-lhe que vegetais eram aqueles.
Eu sei, vocês estão a pensar: que atrevida!
Mas, não, atrevida não, eu até sou bem tímida, ...mas que queria saber, queria...
Sabem o que o senhor fez, sabem???
- Dividiu os vegetais, entregou-me metade, para as mãos, e disse que eram couves chinesas. Eu agradeci, envergonhada, e disse-lhe que só gostaria de saber o que era.
O senhor, respondeu: não entendo português, é para a sopa, muito bom, é seu!
Eu: não quero, obrigada! - só gostaria de saber que vegetais são!
O senhor: é seu! - eu não entendo português, daqui a um mês, outra vês, leva daqueles. (uns que estão a crescer em altura.)
Eu: Muito obrigada! (despedi-me.)
Voltei para trás e posei as couves chinesas em casa. - Logo, há sopa de couve chinesa.
... ainda cheguei a tempo ao trabalho, se querem saber, bem na horinha...
- CHINESICES? - NÃO! - SIMPATIQUICES!!!
Em frente à minha casa há uma horta comunitária.
Sempre que saio ou entro em casa gosto de a admirar e não são raras as vezes que fico "algum tempo" parada a observar.
Há sempre alguém a cuidar do seu espaço, e alguns bem arranjadinhos. Há vegetais e flores, lindo!
Um dos espaços pertence a um senhor chinês, que vive na minha rua, e todos os dias de manhã quando saio para trabalhar vejo-o a cuidar do seu cantinho e a colher os seus vegetais.
Já me tinha questionado, por diversas vezes, que legumes seriam aqueles!? Também perguntei ao meu, querido, marido.
Poderia ter pesquisado na Internet, dizem vocês, e certamente ficaria a saber... é verdade!
Contudo, o que fiz hoje, quando ia a caminho do comboio, foi o seguinte:
Vi o senhor, chinês, a sair, calmamente, da sua horta com uma braçada de legumes; abrandei ligeiramente o passo e não é que "sem querer" me cruzei com ele.
Desejei-lhe bom dia, faz parte da boa educação. O senhor sorriu e eu perguntei-lhe que vegetais eram aqueles.
Eu sei, vocês estão a pensar: que atrevida!
Mas, não, atrevida não, eu até sou bem tímida, ...mas que queria saber, queria...
Sabem o que o senhor fez, sabem???
- Dividiu os vegetais, entregou-me metade, para as mãos, e disse que eram couves chinesas. Eu agradeci, envergonhada, e disse-lhe que só gostaria de saber o que era.
O senhor, respondeu: não entendo português, é para a sopa, muito bom, é seu!
Eu: não quero, obrigada! - só gostaria de saber que vegetais são!
O senhor: é seu! - eu não entendo português, daqui a um mês, outra vês, leva daqueles. (uns que estão a crescer em altura.)
Eu: Muito obrigada! (despedi-me.)
Voltei para trás e posei as couves chinesas em casa. - Logo, há sopa de couve chinesa.
... ainda cheguei a tempo ao trabalho, se querem saber, bem na horinha...
- CHINESICES? - NÃO! - SIMPATIQUICES!!!
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