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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ai, que frio!
Que dor...
Que arrepio!
Será dor do frio?
Ou frio da dor?
Será frio, do frio?
Ou frio por viver ao pé do rio?
Será dor d'amor
Será dor pelo filho?
Ou do filho pela dor?
Ai, que frio!
Que dor...

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O CASTELO DA BONDADE

Era uma vez...

A rainha Titi tinha duas filhas.

Isíris, a princesa primogénita, e Mary, a benjamim da família real.

As princesas eram o oposto uma da outra.
Isíris, tinha os cabelos dourados, e irradiava o sol.
Mary, de cabelos escuros, fazia lembrar o luar.

Qual das duas a mais bela!?

Isíris, era delicada e gostava de literatura.
Passava longas horas na biblioteca, do castelo, a ler e a sonhar com príncipes e cavaleiros.

Mary, era aventureira!
Partia, ainda o sol não havia nascido, com o seu cavalo alado, por entre montes e vales.
Ia sempre com um, grande, sorriso. Poder-se-ia dizer que o sorriso lhe preenchia, e iluminava, o rosto todo.
Chegava ao castelo já tardiamente. Com ela, vinha sempre a lua.
Já não eram só rumores, havia quem afirmasse que Mary era filha da noite!
O luar era o seu, fiel, companheiro.

Isíris recitava poemas, e os reis escutavam-na maravilhados!

Mary colhia frutos silvestres, e com eles eram confecionados doces de compota. A rainha fazia questão de os preparar sozinha.

As aias, ficavam apreensivas... olhavam umas para as outras, sem saber o que fazer, ou dizer.
A rainha, Titi, sossegava-as; e lá lhes explicava, uma, e outra, vez, que os frutos que eram colhidos pela princesa só poderiam ser preparados pelas suas mãos.
- "Amor com amor se paga!" - dizia a rainha.

O reino era governado com amor.

Os reis preocupavam-se em transmitir os seus valores às filhas.
Todos os verões, a família real ia visitar, pessoalmente, o seu povo. A carruagem que os transportava ia repleta de bens e medicamentos para doar a quem deles necessitasse.

As princesas adoravam as viagens que faziam por todo o território real. Nas visitas que faziam percebia-se que, afinal, elas não eram, assim, tão diferentes. As duas adoravam brincar com os súbditos e era vê-las correr pelos campos. Quais lebres!

No regresso ao castelo, os reis e as princesas vinham com a carruagem a transbordar de afetos e o coração a rebentar de amor!


Obrigada, Clotilde, Íris e Sara, pelo coelho anão que nos ofereceram.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

HÁ TESTES... E TESTES


Há muitos, muitos anos…
Durante o reinado de Dom Afonso Henriques, se não me falha a memória, havia uma linda princesa chamada July.
A princesa July era meiga e muito inteligente.
Gostava imenso de cantar e a todos encantava, por ser como era. Não eram raras as vezes que os súbditos se distraíam ou se descuidavam dos seus labores para a ouvirem.
- Que bela voz! (diziam uns).
- Que graciosidade! (diziam outros). - É tão inteligente!
Contudo, ninguém se tinha apercebido, ainda, que a princesa andava preocupada e muito cabisbaixa!
Se analisarmos bem: como é que alguém poderia suspeitar que a princesa July poderia andar com “minhoquinhas na cabeça” só porque ia fazer um exame, nacional, de geografia.
- Geografia?! (Perguntam vocês).
- Sim, geografia! - Então não sabem que as princesas têm que conhecer todo o território pertencente ao seu reino?!
- Bem, mas vamos lá continuar a história…
 - Tal como eu disse, ninguém imaginaria que a princesa July pudesse ter alguma preocupação, muito menos com os estudos... Afinal, ela foi sempre uma aluna brilhante.
Espantem-se! Uma educação tão esmerada, ninguém diria que junto dos seus pais, os reis, e quando mais ninguém estava presente, a princesinha chegava a ser insuportável e às vezes respondia-lhes torto… Claro que contado, não dá para acreditar! Só quem tivesse vivenciado essas tristes situações é que acreditaria… ou não!
Os dias iam passando e a princesinha ia ficando mais infeliz. Já não dormia devidamente. O exame, aquele monstro, apelidava-o ela, não lhe saía do pensamento.
A rainha chorava e sofria imenso por ver a filha naquele estado, e dizia-lhe que o exame lhe iria correr bem, que não precisava de ficar naquele estado. Contudo, tudo o que falasse para acalmar o coração da filha de nada valia; a rainha, por vezes, punha em causa se seria uma boa mãe...
Os Nobres mais chegados e as aias, com quem desabafava, diziam-lhe, que tivesse paciência, que era uma mãe maravilhosa e que a filha iria ficar bem em pouco tempo.
Uma das aias chegou, mesmo, a dizer à rainha: Se me permitis, Vossa Alteza, tenho a dizer-vos que deveis levar a Vossa Filha a passear para se distrair, para ver se esta ansiedade lhe passa, ela só precisa de esquecer um pouco os estudos! (Muito inteligente esta aia, para aquele tempo, tenho cá para mim que ela estaria a ter aulas com a princesa July).
- Eu sei, aia, eu e o rei temos falado imenso sobre tudo isso e já tínhamos decidido que a iríamos levar a passear por prados verdejantes, por veredas e por outros locais que tais.
- Imagina só, o que ela nos respondeu: - o que eu quero, mesmo, é participar no Sarau dos Pequenos Cantores de São Mamede. 

- Diz-me aia, onde é que eu vou desencantar os Pequenos Cantores de São Mamede, se a batalha já se deu! 

                                                                                         FIM

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O SONHO DO ELIAS

O sol ainda não tinha despontado e o Elias já andava numa roda-viva.
Não conseguia parar de pensar no sonho que tivera nessa noite.

Tinha sonhado com um grande tesouro enterrado na rua da Fantasia. 
Que grande aventura ele e os seus amigos iriam viver!

Tomou um bom pequeno almoço que o deixou cheio de energia.

Estava tão entusiasmado... Não podia perder tempo!
Tinha que contar tudo aos seus amigos.

A pular de alegria e bem disposto saiu de casa.

Quando chegou a casa da Giroflé, a amiga estava a terminar o seu treino matinal.

Elias: Olá, Gira (era dessa forma, carinhosa, que o Elias e os amigos a tratavam desde que se tornaram amigos) já foste dar uma corridinha?
Giroflé: Bom dia, Elias! - Estou agora mesmo a terminar. - Queres tomar o pequeno almoço comigo?
- Já tomei, obrigado!  

Enquanto a Giroflé comia, o Elias contou o seu sonho e o que planeava fazer caso encontrasse o tesouro.

- É isso mesmo, Gira! (disse o Elias) - Se o encontrarmos, plantamos mais árvores, alargamos a rua e convidamos os animais abandonados para virem viver na Fantasia.
Giroflé: Excelente ideia! - Tenho a certeza que os nossos amigos se juntarão a nós nesta grande aventura.

E assim, depois de contarem o local do sonho aos amigos, foram em busca do tesouro que traria grande felicidade e conforto a outros animais.


                                                                   FIM!                                              

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O NATAL DA GIROFLÉ


Finalmente...


Chegara a véspera de Natal! 

No jardim zoológico, da rua da Fantasia, os animais aguardavam, impacientemente, pela noite da consoada.
Fora a primeira vez que a girafa, Giroflé, os convidara para passarem a noite consigo.

Decidira preparar um belo jantar para todos os animais, e demonstrar-lhes o quanto gostava de todos eles, sem exceção!

O elefante, Elias, que se tornara um dos seus melhores amigos, logo se prontificou para a ajudar nos preparativos.

A Giroflé, ficou muito feliz e, de sorriso largo, agradeceu  a oferta. 

Estavam os dois entretidíssimos, a fazer bolos e bolinhos, quando ouviram alguém chamar.

- Giroflé... Ó, Giroflé! Giroflé! Onde estás?

Elias: Parece a voz do nosso amigo Voavoa! (o Voavoa era um pardal alegre e saltitão, mas demasiado distraído). 

- Vamos lá ver... 
- Olá, Voavoa! (disse a Giroflé). Por aqui, tão cedo?! O jantar é só à noite, não te esqueceste, pois não?

Voavoa: Pelo contrário, já cá estou! Vim mais cedo e trago uns vegetais bem fresquinhos. - Toma lá! E, agora, vou ficar num cantinho para não derrubar nada. Sabes como sou... mais pareço um trapalhão! (disse tristemente).

- Obrigada, muito obrigada!  (disse a Giroflé encantada). Esses vegetais têm um aspeto delicioso. E, não te preocupes, podes andar à vontade! Só tens que olhar com atenção para todo o lado; acredita em ti! É esse o segredo, e se, porventura, algo correr menos bem, estaremos sempre do teu lado! 

- Obrigado, Giroflé, pelas tuas palavras tão gentis. Vou fazer como dizes! De agora em diante vou confiar mais em mim, e também vou ser mais cauteloso.

Alegremente, deitaram os três mãos ao trabalho. Afinal, ainda havia muito para fazer e a hora da festa aproximava-se, a passos largos.

De repente...

- Olhem! (gritou o Elias). Estão a chegar todos os animais do jardim! - Vejam, vejam, a princesa July vem junto! 

- Uaaau! (disse o Voavoa, que tinha um fascínio secreto pela bela princesinha). 

Giroflé: Olá, amigos, sejam bem vindos! - Quanto honra, princesa July!

Eu é que agradeço o convite! (respondeu, radiante, a princesa).


Assim: Por todo o jardim só se ouviam sorrisos e risos de alegria.

- UM FELIZ NATAL! (gritaram todos em uníssono).


                                                       FIM!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UMA HISTÓRIA DE ANIMAIS E AMIZADE

Era uma vez

No jardim zoológico, da rua da Fantasia, vivia uma girafa com um ar bem pomposo.
Seu nome: Giroflé.

A menina  girafa Giroflé não gostava, lá muito, de brincar com os outros animais do jardim.
Dizia lá do alto, bem alto por sinal, com o seu ar empertigado que os outros animais não deveriam saber pensar.
Afinal: havia animais baixinhos, dizia ela, tão baixinhos que a esperteza se deveria igualar ao tamanho.

Menina girafa, Giroflé, lá do alto, via tudo o que se passava à sua volta.

Ou será que nada veria?

Via os pássaros e ria. Porém, se esquecia que nunca poderia voar.

Via as joaninhas, sorria e lá dizia: Tão pequeninas. - Tereis orelhinhas? - Nem devem ouvir, coitaditas!

Observava e tudo criticava...

- Olá, senhor gorducho! (tratava dessa forma o elefante).
- Gostarias de ter, como eu, um porte elegante?

Menina Giroflé era, demasiado, distraída.
Com seu ar vaidoso se esquecia de que na vida é preciso ter amigos e alegria, de que, a amizade não tem rosto; nem tão pouco estatura. Que a grandeza está no coração.  

Passavam os dias e a menina Giroflé não convivia. Andava triste e nem se apercebia.

Todos os animais do jardim zoológico riam, corriam, saltavam e rebolavam.
À Giroflé, já nem ligavam. Nem para brincar a convidavam.

Um dia, um novo animal chegou ao jardim zoológico da rua da Fantasia.
Uma nova girafa, com todos conversava e era simpática! 

Quando a viu, a menina Giroflé ficou feliz. Agora teria alguém com quem conversar e quem sabe, talvez, brincar. Alguém com a mesma opinião e porte elegante, tal qual ela...

No entanto, foi grande a desilusão. Quando a, linda, Giroflé se aproximou a seguinte resposta escutou: se queres conversar e quem sabe, talvez, brincar a todos te deves juntar.

Assim: a menina, girafa, Giroflé, depois de refletir se apercebeu que só ela estava errada. De hoje em diante, tudo faria para ser uma grande e verdadeira amiga.
A partir desse momento foi feliz. Nos outros animais encontrou todas as qualidades que, antes, não via por andar distraída no cimo do seu pedestal!




                                                                                                 FIM!



quarta-feira, 6 de junho de 2012

QUEM SÃO?



     São belas,
     são coloridas, 
     nascem dentro do arco-íris.



     Saem das histórias,
     fabricam histórias,
     fantasiam e transformam o mundo.
     Sorriem ao mundo.



     Delicadas, como bolinhas de sabão.
     Se forem amadas, fortes serão! 



     Rodeiam-nos de afectos,
     iluminam, sem pensar,
     luminosas, naturalmente.  



     Pequenos pássaros, a esvoaçar,
     Como piões, sempre a rodopiar.



     - Quem são?
     - São as crianças, simplesmente!


     Poderiam ser os adultos, sinceramente!



jb9.jpg
(imagem retirada da web)