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domingo, 25 de outubro de 2015

Um jovem, oficial, sentia-se doente.

Não conseguia comer, nem raciocinar bem. A cabeça andava sempre na lua.
Se lhe perguntassem, ele responderia que o coração queria fugir do seu corpo, pela forma como saltava.

- O que se passa comigo? (questionava-se).

Uns dias mais tarde, voltou a vê-la do outro lado do passeio. Nesse instante ficou com a respiração suspensa.
Queria chamá-la, correr, ir ter com aquela, bela, jovem. Todavia, não sabia o que lhe dizer e não ousava aproximar-se por temer a rejeição.

De cabeça baixa, foi para o quartel.
Deixou de ser o jovem, oficial, decidido e altivo que sempre fora!

Mal terminava o serviço ia para casa. Deixou de conviver com os camaradas.
Todos o achavam taciturno.
Logo ele, que sempre fora alegre e que todos os dias era o primeiro a chegar à formatura com o seu pelotão.

Não era à toa que os seus instruendos eram sempre os melhores do curso. Sempre os primeiros a iniciar a instrução e os últimos a terminar qualquer treino.

Decidiu tirar uns dias de férias e foi para casa dos pais.
A mãe quando o olhou percebeu que algo não estava bem. Estendeu-lhe os braços e envolveu-o no regaço. O seu filhinho estava doente! (percebeu). Achou-o demasiado magro.

- Mãe estou, um pouco, cansado. - Perdoa-me, tenho que me deitar um pouco e depois conversamos (disse).
- Vai lá, meu querido. Descansa!

Enquanto o filho dormia, a mãe foi a casa da, nova, vizinha.Uma, jovem, médica que estava a estagiar no hospital da Guarda.

-Bastante jovem! (dizia sempre ao seu marido) - Estará preparada para atender a população? - Desconfio muito destes jovens de hoje em dia!
Contudo, naquele dia, o seu menino tinha que ser visto... e não ia esperar que ele se decidisse a procurar ajuda.

A médica ficou um pouco renitente em vê-lo, afinal, era estagiária. Ainda não tinha concluído o curso.
Perante a persistência da vizinha, que não desarmava, decidiu acompanhá-la. Ao mesmo tempo que lhe dizia: a senhora tinha-me dito que o seu filho era militar, agora sei a quem ele saiu!
- Se eu me recusasse a ir vê-lo não me largava a porta, largava?!

Nem tempo houve para qualquer resposta, porque, viram alguém cair na rua e ouviram um gemido agonizante.

O, jovem, oficial tinha-se levantado da cama.
Como não vira a mãe, em casa, decidiu procurá-la. Foi nesse instante, quando abriu a porta da rua, que a viu. Era ela, a moça, com quem sonhava há tanto tempo!

Correram em seu auxílio e de imediato levaram-no para o hospital.
Quando acordou, ela estava a seu lado a sorrir, e a perguntar-lhe como se sentia.
- Estarei a sonhar?! (pensou alto).
A médica sorriu, uma vez mais! O sorriso bailava-lhe no olhar.

- Olá, Martim, como se sente?
- Muito melhor! (respondeu-lhe) - Agora estou bem melhor, senhora doutora, e o rosto que até então estava pálido, ruborizou-se.
- Podes tratar-me por Maria. - Amanhã já poderás ir para casa e eu vou visitar-te. Somos vizinhos e se quiseres seremos amigos.

Desde aí, não mais se largaram
.
O Martim regressou ao quartel.
A Maria terminou o estágio e foi colocada numa unidade de saúde próxima do quartel onde o Martim prestava serviço.

Meses depois casaram e tiveram dois filhos. Primeiramente, uma menina.
Andavam radiantes com a filha e a cegonha decidiu visitá-los, novamente, e tiveram um menino.

Como agradecimento pela dádiva dos filhos, e em homenagem ao amor que os unia, decidiram ajudar todas as crianças com necessidades e que por vezes estão tão próximas de todos nós.