sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Acordei, ainda o galo não tinha cantado, ao ouvir uns risinhos abafados!

Dentro de casa reinava o silêncio!
O meu cachorrinho não se mexia, aconchegado na sua mantinha.
Logo ele, que está sempre de orelhas espetadas e alerta! Sempre pronto para a brincadeira, e para ir à rua.
Nem os sons do rio, que passa próximo de minha casa, se ouviam.

Ainda planeei dar uma caminhada, depois do pequeno almoço, mas era tão cedo... e resolvi voltar para a cama.
Provavelmente foi um sonho, pensei enquanto me deitava.
Depois de umas voltas na cama, a tentar adormecer de novo, voltei  a ouvir um burburinho.

Decidi ficar atenta, para perceber de onde vinha aquele ruído alegre.
Pé ante pé, aproximei-me da janela, do meu quarto, e abri-a muito devagarinho.

Sem conseguir conter a minha curiosidade, espreitei para a rua...

- Uau! (não queria acreditar no que os meus olhos viam).

 Os salgueiros, que ladeiam o rio, estavam todos esfuziantes, e dançavam entrelaçados.
Havia folhas verdes, amarelas, vermelhas, laranjas e castanhas a rodopiar, e a rir, pelo ar.

Fiquei maravilhada, e suspirei alto, ao ver tanta beleza!
Com receio que me ouvissem, e parassem, suspendi a respiração de imediato, mas saiu pior a emenda que o soneto.
Ao sentir-me sufocar, comecei a tossir alto... nesse momento, olharam todos, perplexos, para mim.

- Não se vão embora, por favor! Eu não conto a ninguém o que vi! (se o fizesse ninguém acreditaria, pensei).

- Olá, eu sou a Marianinha! (disse-me uma folhinha laranja). Estas aqui são as minhas irmãs mais novas, a Ísis e a Clarinha.
- Olá, como estás? (disseram as duas em uníssono).
- Ó, é inacreditável, vocês também falam! (exclamei eu).
- Siiim, nós falamos. Que admiração é essa? (retorquiu Sílvia, a mãe árvore.) Mas agora fique bem sossegadinha, porque o outono está a chegar.

E lá recomeçaram a dança.
No final, as folhas despediram-se das árvores e partiram pelos parques e jardins, à procura das crianças que gostam de brincar, fazer texturas, e desenhos com as suas formas.

Entre as centenas de folhas que voavam, vislumbrei uma folhinha que sorria e desejava a todas as pessoas um outono muito feliz!











quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ó maré alta de minh'alma
Maresia no teu olhar
Quem tem o mar a seus pés, tem tudo
Quem não tem, perde-se a sonhar.

Ó verdes campos
Amarelos trigais
Onde mora o meu amor
Que por ele solto os meus ais.





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lá ao fundo fica o meu castelo!

Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão.

Vamos!
Segue em frente.
Não olhes para trás...
"Para a frente é o caminho!" (Já dizia a minha mãezinha, que Deus a tenha!)

Então, já chegaste?
Já o viste?

É tão fácil descobri-lo!
Ele está aí mesmo, não desvies o olhar.

No meu castelo passa um rio, onde te podes banhar.
A água é cristalina, e os peixes, que mais parecem pássaros, saltitam ao luar.

O meu castelo é feito de nuvens, cor de esperança e girassóis.

O meu castelo,
é da cor do teu olhar!

Há dias sim, há dias não, há dias assim-assim...
Esse é o meu castelo!
 
Uns dias imponente!
Noutros, macambúzio.
Na maioria das vezes, admiravelmente feliz!

Uns dias sim, outros não!
Terá vida?!
O meu castelo de vento...

No entanto, tão meu!
Tão teu!
Tão nosso!


Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!

Não há qualquer portão!




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

LUCAS

Lá fora chove
Tons de cinza invadem os vitrais
Águas agitam-se
Escorrem pelos beirais
Rubor do esforço
Frio... calor
Quanta ânsia
Quanto amor
Só mais um pouco...
É hora
Chegou a ocasião...
Nasceu...
Ainda agora
Lá fora chove
Cá dentro, inundam-se as faces.
Haja saúde, risos e lágrimas de alegria!
Lucas
Fruto do amor
Dádiva de Deus!
Parabéns, nossos, queridos!
Bem vindos à família dos papás!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016


Larinha, era uma menina alegre.
Tinha olhos estrelados e cabelos, compridos, cor de luar.
Vivia na Estrela do Norte, e todos os dias esperava pelo seu amigo Miguel, para brincar.

Miguel, vivia na Estrela do Sul, e, era normal vê-lo, todos os dias, sentado na sua estrela à espera do vento para apanhar boleia na sua cauda.

O vento era um velho, rezingão. Poucos gostavam dele, e as nuvens temiam-no!
Não era de admirar que tivessem medo; afinal, quando o vento abria a, enorme, boca fazia tudo rodopiar à sua volta.
As nuvens entrelaçavam-se com receio de se separar. Mesmo assim, o vento levava-as para bem longe umas das outras. Fazia-as correr para terras distantes e para junto do arco-íris.
Queria que as nuvens convivessem com todos os habitantes do espaço. Porém, estas, em vez de lhe agradecerem ficavam cinzentas e tristes.

Depois, eu é que sou ventoso! (pensava o vento), logo eu, que consigo fazer dançar até os pés de chumbo!
Só Miguel e Larinha o compreendiam.
Sempre que o ouvia, assobiar, Larinha acenava-lhe sorridente. Sabia que o seu amigo Miguel estava a chegar, e não tardaria estariam juntos e a brincar.

O vento andava sempre apressado, todavia, arranjava sempre um tempinho para levar os seus amigos, Miguel e Larinha, a passear.
Com os dois em cima da sua cauda, deslizava, suavemente. As folhas das árvores bailavam tranquilas à sua passagem. Era dia de descanso no reino da vegetação e até as nuvens podiam dormir descontraidamente.

Felizes, desceram à praia para correr, apanhar conchas e conversar. Larinha fez colares de contas para oferecer às estrelas do mar. Miguel atirava pedrinhas, para as ver deslizar nas ondas do mar. Enquanto se divertiam a brisa, sem nunca desviar o olhar, com enlevo, cuidava dos seus meninos.

Quando a noite chegava, o vento levava-os de novo a casa.
Miguel e Larinha, a cintilar, adormeciam e sonhavam com beijinhos de sol e abracinhos de luar.









sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

José Filipe era um rapaz alegre e inteligente.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Contudo, à medida que a juventude se aproximava sentia que lhe faltava algo; não conseguia expressar por palavras o que lhe ia na alma. Gostava de ler e sentia que Vila Real já não lhe chegava. Precisava de mais…
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
A sua entrada na faculdade foi motivo de orgulho para os pais, e a Universidade de Lamego ficava perto de casa. Todavia, a mãe sentia um aperto no peito de cada vez que se lembrava que o filho estava a crescer e já não o conseguiria manter muito tempo junto a si.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
José Filipe gostava de conhecer lugares e culturas diferentes, e não era difícil encontrá-lo a ler, ver documentários na televisão ou a navegar na Internet.
Um dia, durante o jantar, comentou com a família que tinha conhecido Zury pela Internet e que gostaria de a conhecer pessoalmente.
Contou com tal comoção… quem o ouvisse perceberia o que lhe ia no coração… a família sentiu, nesse momento, que nunca o conseguiriam demover da sua intenta, e foi dessa forma que o viram partir.
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
José Filipe nunca trouxera dissabores à família. Fora sempre bom menino, bem educado e nunca reprovara na escola.
No dia da sua partida para a Malásia, não houve quem conseguisse conter as lágrimas. Estas caíam, abundantemente, pelos rostos de todos os que se foram despedir de José Filipe.
- Malásia… Zury… meu amor… já falta tão pouco para estarmos juntos (José Filipe não pensava em mais nada). Todo o pensamento se concentrava no encontro de ambos e tinha a garganta embargada pela ansiedade que sentia.
Quando, por fim, foi anunciada a chegada à Malásia, José Filipe ficou petrificado e não se mexeu mais.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
Hesitantemente desceu do avião, e foi buscar a mala.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Regressou ao país que o viu nascer uns anos mais tarde.
Depois de vários dias de chuva, Vila Real vestiu-se de azul celeste para o receber.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Com José Filipe foram Zury e Andrea, filha de ambos.
Andrea, a princesa! Andrea, fruto do mais puro e belo amor.
José Filipe percorreu metade do mundo para o tornar mais colorido!
Coloriu o mundo com os tons de duas culturas diferentes que se tornaram iguais.