Acordei, ainda o galo não tinha cantado, ao ouvir uns risinhos abafados!
Dentro de casa reinava o silêncio!
O meu cachorrinho não se mexia, aconchegado na sua mantinha.
Logo ele, que está sempre de orelhas espetadas e alerta! Sempre pronto para a brincadeira, e para ir à rua.
Nem os sons do rio, que passa próximo de minha casa, se ouviam.
Ainda planeei dar uma caminhada, depois do pequeno almoço, mas era tão cedo... e resolvi voltar para a cama.
Provavelmente foi um sonho, pensei enquanto me deitava.
Depois de umas voltas na cama, a tentar adormecer de novo, voltei a ouvir um burburinho.
Decidi ficar atenta, para perceber de onde vinha aquele ruído alegre.
Pé ante pé, aproximei-me da janela, do meu quarto, e abri-a muito devagarinho.
Sem conseguir conter a minha curiosidade, espreitei para a rua...
- Uau! (não queria acreditar no que os meus olhos viam).
Os salgueiros, que ladeiam o rio, estavam todos esfuziantes, e dançavam entrelaçados.
Havia folhas verdes, amarelas, vermelhas, laranjas e castanhas a rodopiar, e a rir, pelo ar.
Fiquei maravilhada, e suspirei alto, ao ver tanta beleza!
Com receio que me ouvissem, e parassem, suspendi a respiração de imediato, mas saiu pior a emenda que o soneto.
Ao sentir-me sufocar, comecei a tossir alto... nesse momento, olharam todos, perplexos, para mim.
- Não se vão embora, por favor! Eu não conto a ninguém o que vi! (se o fizesse ninguém acreditaria, pensei).
- Olá, eu sou a Marianinha! (disse-me uma folhinha laranja). Estas aqui são as minhas irmãs mais novas, a Ísis e a Clarinha.
- Olá, como estás? (disseram as duas em uníssono).
- Ó, é inacreditável, vocês também falam! (exclamei eu).
- Siiim, nós falamos. Que admiração é essa? (retorquiu Sílvia, a mãe árvore.) Mas agora fique bem sossegadinha, porque o outono está a chegar.
E lá recomeçaram a dança.
No final, as folhas despediram-se das árvores e partiram pelos parques e jardins, à procura das crianças que gostam de brincar, fazer texturas, e desenhos com as suas formas.
Entre as centenas de folhas que voavam, vislumbrei uma folhinha que sorria e desejava a todas as pessoas um outono muito feliz!
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Lá ao fundo fica o meu castelo!
Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão.
Vamos!
Segue em frente.
Não olhes para trás...
"Para a frente é o caminho!" (Já dizia a minha mãezinha, que Deus a tenha!)
Então, já chegaste?
Já o viste?
É tão fácil descobri-lo!
Ele está aí mesmo, não desvies o olhar.
No meu castelo passa um rio, onde te podes banhar.
A água é cristalina, e os peixes, que mais parecem pássaros, saltitam ao luar.
O meu castelo é feito de nuvens, cor de esperança e girassóis.
O meu castelo,
é da cor do teu olhar!
Há dias sim, há dias não, há dias assim-assim...
Esse é o meu castelo!
Uns dias imponente!
Noutros, macambúzio.
Na maioria das vezes, admiravelmente feliz!
Uns dias sim, outros não!
Terá vida?!
O meu castelo de vento...
No entanto, tão meu!
Tão teu!
Tão nosso!
Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão!
Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão.
Vamos!
Segue em frente.
Não olhes para trás...
"Para a frente é o caminho!" (Já dizia a minha mãezinha, que Deus a tenha!)
Então, já chegaste?
Já o viste?
É tão fácil descobri-lo!
Ele está aí mesmo, não desvies o olhar.
No meu castelo passa um rio, onde te podes banhar.
A água é cristalina, e os peixes, que mais parecem pássaros, saltitam ao luar.
O meu castelo é feito de nuvens, cor de esperança e girassóis.
O meu castelo,
é da cor do teu olhar!
Há dias sim, há dias não, há dias assim-assim...
Esse é o meu castelo!
Uns dias imponente!
Noutros, macambúzio.
Na maioria das vezes, admiravelmente feliz!
Uns dias sim, outros não!
Terá vida?!
O meu castelo de vento...
No entanto, tão meu!
Tão teu!
Tão nosso!
Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
LUCAS
Lá fora chove
Tons de cinza invadem os vitrais
Águas agitam-se
Escorrem pelos beirais
Águas agitam-se
Escorrem pelos beirais
Rubor do esforço
Frio... calor
Quanta ânsia
Quanto amor
Frio... calor
Quanta ânsia
Quanto amor
Só mais um pouco...
É hora
É hora
Chegou a ocasião...
Nasceu...
Ainda agora
Nasceu...
Ainda agora
Lá fora chove
Cá dentro, inundam-se as faces.
Cá dentro, inundam-se as faces.
Haja saúde, risos e lágrimas de alegria!
Lucas
Fruto do amor
Dádiva de Deus!
Fruto do amor
Dádiva de Deus!
Parabéns, nossos, queridos!
Bem vindos à família dos papás!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Larinha, era uma menina alegre.
Tinha olhos estrelados e cabelos, compridos, cor de luar.
Vivia na Estrela do Norte, e todos os dias esperava pelo seu amigo Miguel, para brincar.
Miguel, vivia na Estrela do Sul, e, era normal vê-lo, todos os dias, sentado na sua estrela à espera do vento para apanhar boleia na sua cauda.
O vento era um velho, rezingão. Poucos gostavam dele, e as nuvens temiam-no!
Não era de admirar que tivessem medo; afinal, quando o vento abria a, enorme, boca fazia tudo rodopiar à sua volta.
As nuvens entrelaçavam-se com receio de se separar. Mesmo assim, o vento levava-as para bem longe umas das outras. Fazia-as correr para terras distantes e para junto do arco-íris.
Queria que as nuvens convivessem com todos os habitantes do espaço. Porém, estas, em vez de lhe agradecerem ficavam cinzentas e tristes.
Depois, eu é que sou ventoso! (pensava o vento), logo eu, que consigo fazer dançar até os pés de chumbo!
Só Miguel e Larinha o compreendiam.
Sempre que o ouvia, assobiar, Larinha acenava-lhe sorridente. Sabia que o seu amigo Miguel estava a chegar, e não tardaria estariam juntos e a brincar.
O vento andava sempre apressado, todavia, arranjava sempre um tempinho para levar os seus amigos, Miguel e Larinha, a passear.
Com os dois em cima da sua cauda, deslizava, suavemente. As folhas das árvores bailavam tranquilas à sua passagem. Era dia de descanso no reino da vegetação e até as nuvens podiam dormir descontraidamente.
Felizes, desceram à praia para correr, apanhar conchas e conversar. Larinha fez colares de contas para oferecer às estrelas do mar. Miguel atirava pedrinhas, para as ver deslizar nas ondas do mar. Enquanto se divertiam a brisa, sem nunca desviar o olhar, com enlevo, cuidava dos seus meninos.
Quando a noite chegava, o vento levava-os de novo a casa.
Miguel e Larinha, a cintilar, adormeciam e sonhavam com beijinhos de sol e abracinhos de luar.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
José Filipe era um rapaz alegre e inteligente.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Contudo, à medida que a juventude se aproximava sentia que lhe faltava algo; não conseguia expressar por palavras o que lhe ia na alma. Gostava de ler e sentia que Vila Real já não lhe chegava. Precisava de mais…
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
A sua entrada na faculdade foi motivo de orgulho para os pais, e a Universidade de Lamego ficava perto de casa. Todavia, a mãe sentia um aperto no peito de cada vez que se lembrava que o filho estava a crescer e já não o conseguiria manter muito tempo junto a si.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
José Filipe gostava de conhecer lugares e culturas diferentes, e não era difícil encontrá-lo a ler, ver documentários na televisão ou a navegar na Internet.
Um dia, durante o jantar, comentou com a família que tinha conhecido Zury pela Internet e que gostaria de a conhecer pessoalmente.
Contou com tal comoção… quem o ouvisse perceberia o que lhe ia no coração… a família sentiu, nesse momento, que nunca o conseguiriam demover da sua intenta, e foi dessa forma que o viram partir.
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
José Filipe nunca trouxera dissabores à família. Fora sempre bom menino, bem educado e nunca reprovara na escola.
No dia da sua partida para a Malásia, não houve quem conseguisse conter as lágrimas. Estas caíam, abundantemente, pelos rostos de todos os que se foram despedir de José Filipe.
- Malásia… Zury… meu amor… já falta tão pouco para estarmos juntos (José Filipe não pensava em mais nada). Todo o pensamento se concentrava no encontro de ambos e tinha a garganta embargada pela ansiedade que sentia.
Quando, por fim, foi anunciada a chegada à Malásia, José Filipe ficou petrificado e não se mexeu mais.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
Hesitantemente desceu do avião, e foi buscar a mala.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Regressou ao país que o viu nascer uns anos mais tarde.
Depois de vários dias de chuva, Vila Real vestiu-se de azul celeste para o receber.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Com José Filipe foram Zury e Andrea, filha de ambos.
Andrea, a princesa! Andrea, fruto do mais puro e belo amor.
José Filipe percorreu metade do mundo para o tornar mais colorido!
Coloriu o mundo com os tons de duas culturas diferentes que se tornaram iguais.
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