quinta-feira, 13 de abril de 2017

Pingo Doce, era uma gotinha leve e límpida.

Vivia numa linda lagoa ladeada de árvores seculares, cujos ramos tocavam nas suas águas cristalinas.
Pássaros de mil e uma cores chilreavam à sua volta.
Esquilos, coelhos, gazelas e outros animais saciavam a sua sede junto a si.
Quase todos os fins de semana vinham pessoas admirar aquela bela paisagem.

Um lugar de glória e paz!

Pingo Doce, tinha um número infindável de irmãs e amigas e todas elas eram felizes!
Todas... excepto Pingo Doce, que observava tudo atentamente, e, tristemente suspirava...

- Huuuum... ai, ai... como eu gostaria de me sentir feliz assim...

As outras gotinhas, ora saltitavam e corriam, quando chovia, para darem as boas vindas às novas gotinhas que a elas se juntavam... ora ficavam paradas, e quietinhas, a sentir os raios de sol que as aqueciam. Tinham uma alegria contagiante, e sabiam apreciar o que a vida lhes tinha para oferecer.

Apenas Pingo Doce se deixava ficar, melancolicamente,  no seu lugar.
Ninguém a convencia a participar em nada... o tempo passava... e nem uma aventurazinha ela tinha para contar.

Nada!

- E, sabem porquê?!

- Eu conto-lhes...

Pingo Doce queria ser uma gotinha com sabor a sal. Todavia, tinha medo de sair do seu cantinho e de seguir o seu caminho.

Já se passaram vários anos... e Pingo Doce continua a suspirar...

Agora, a sua tristeza, é por não ter aproveitado a sua infância e por nunca ter feito esforço algum para sair da lagoa.

A sua imaginação levou-a para lugares longínquos. Contudo, nunca fez nada para realizar os seus sonhos.

Hoje, Pingo Doce, já não tem o mesmo espírito triste, e inquietante de outrora, e tornou-se mais tranquila. No entanto, sem saber bem porquê, deixou de ser uma gotinha doce e transformou-se numa gotinha agridoce!!!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ai, que frio!
Que dor...
Que arrepio!
Será dor do frio?
Ou frio da dor?
Será frio, do frio?
Ou frio por viver ao pé do rio?
Será dor d'amor
Será dor pelo filho?
Ou do filho pela dor?
Ai, que frio!
Que dor...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Acordei, ainda o galo não tinha cantado, ao ouvir uns risinhos abafados!

Dentro de casa reinava o silêncio!
O meu cachorrinho não se mexia, aconchegado na sua mantinha.
Logo ele, que está sempre de orelhas espetadas e alerta! Sempre pronto para a brincadeira, e para ir à rua.
Nem os sons do rio, que passa próximo de minha casa, se ouviam.

Ainda planeei dar uma caminhada, depois do pequeno almoço, mas era tão cedo... e resolvi voltar para a cama.
Provavelmente foi um sonho, pensei enquanto me deitava.
Depois de umas voltas na cama, a tentar adormecer de novo, voltei  a ouvir um burburinho.

Decidi ficar atenta, para perceber de onde vinha aquele ruído alegre.
Pé ante pé, aproximei-me da janela, do meu quarto, e abri-a muito devagarinho.

Sem conseguir conter a minha curiosidade, espreitei para a rua...

- Uau! (não queria acreditar no que os meus olhos viam).

 Os salgueiros, que ladeiam o rio, estavam todos esfuziantes, e dançavam entrelaçados.
Havia folhas verdes, amarelas, vermelhas, laranjas e castanhas a rodopiar, e a rir, pelo ar.

Fiquei maravilhada, e suspirei alto, ao ver tanta beleza!
Com receio que me ouvissem, e parassem, suspendi a respiração de imediato, mas saiu pior a emenda que o soneto.
Ao sentir-me sufocar, comecei a tossir alto... nesse momento, olharam todos, perplexos, para mim.

- Não se vão embora, por favor! Eu não conto a ninguém o que vi! (se o fizesse ninguém acreditaria, pensei).

- Olá, eu sou a Marianinha! (disse-me uma folhinha laranja). Estas aqui são as minhas irmãs mais novas, a Ísis e a Clarinha.
- Olá, como estás? (disseram as duas em uníssono).
- Ó, é inacreditável, vocês também falam! (exclamei eu).
- Siiim, nós falamos. Que admiração é essa? (retorquiu Sílvia, a mãe árvore.) Mas agora fique bem sossegadinha, porque o outono está a chegar.

E lá recomeçaram a dança.
No final, as folhas despediram-se das árvores e partiram pelos parques e jardins, à procura das crianças que gostam de brincar, fazer texturas, e desenhos com as suas formas.

Entre as centenas de folhas que voavam, vislumbrei uma folhinha que sorria e desejava a todas as pessoas um outono muito feliz!











quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ó maré alta de minh'alma
Maresia no teu olhar
Quem tem o mar a seus pés, tem tudo
Quem não tem, perde-se a sonhar.

Ó verdes campos
Amarelos trigais
Onde mora o meu amor
Que por ele solto os meus ais.





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lá ao fundo fica o meu castelo!

Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão.

Vamos!
Segue em frente.
Não olhes para trás...
"Para a frente é o caminho!" (Já dizia a minha mãezinha, que Deus a tenha!)

Então, já chegaste?
Já o viste?

É tão fácil descobri-lo!
Ele está aí mesmo, não desvies o olhar.

No meu castelo passa um rio, onde te podes banhar.
A água é cristalina, e os peixes, que mais parecem pássaros, saltitam ao luar.

O meu castelo é feito de nuvens, cor de esperança e girassóis.

O meu castelo,
é da cor do teu olhar!

Há dias sim, há dias não, há dias assim-assim...
Esse é o meu castelo!
 
Uns dias imponente!
Noutros, macambúzio.
Na maioria das vezes, admiravelmente feliz!

Uns dias sim, outros não!
Terá vida?!
O meu castelo de vento...

No entanto, tão meu!
Tão teu!
Tão nosso!


Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!

Não há qualquer portão!




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

LUCAS

Lá fora chove
Tons de cinza invadem os vitrais
Águas agitam-se
Escorrem pelos beirais
Rubor do esforço
Frio... calor
Quanta ânsia
Quanto amor
Só mais um pouco...
É hora
Chegou a ocasião...
Nasceu...
Ainda agora
Lá fora chove
Cá dentro, inundam-se as faces.
Haja saúde, risos e lágrimas de alegria!
Lucas
Fruto do amor
Dádiva de Deus!
Parabéns, nossos, queridos!
Bem vindos à família dos papás!