quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ai, que frio!
Que dor...
Que arrepio!
Será dor do frio?
Ou frio da dor?
Será frio, do frio?
Ou frio por viver ao pé do rio?
Será dor d'amor
Será dor pelo filho?
Ou do filho pela dor?
Ai, que frio!
Que dor...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Acordei, ainda o galo não tinha cantado, ao ouvir uns risinhos abafados!

Dentro de casa reinava o silêncio!
O meu cachorrinho não se mexia, aconchegado na sua mantinha.
Logo ele, que está sempre de orelhas espetadas e alerta! Sempre pronto para a brincadeira, e para ir à rua.
Nem os sons do rio, que passa próximo de minha casa, se ouviam.

Ainda planeei dar uma caminhada, depois do pequeno almoço, mas era tão cedo... e resolvi voltar para a cama.
Provavelmente foi um sonho, pensei enquanto me deitava.
Depois de umas voltas na cama, a tentar adormecer de novo, voltei  a ouvir um burburinho.

Decidi ficar atenta, para perceber de onde vinha aquele ruído alegre.
Pé ante pé, aproximei-me da janela, do meu quarto, e abri-a muito devagarinho.

Sem conseguir conter a minha curiosidade, espreitei para a rua...

- Uau! (não queria acreditar no que os meus olhos viam).

 Os salgueiros, que ladeiam o rio, estavam todos esfuziantes, e dançavam entrelaçados.
Havia folhas verdes, amarelas, vermelhas, laranjas e castanhas a rodopiar, e a rir, pelo ar.

Fiquei maravilhada, e suspirei alto, ao ver tanta beleza!
Com receio que me ouvissem, e parassem, suspendi a respiração de imediato, mas saiu pior a emenda que o soneto.
Ao sentir-me sufocar, comecei a tossir alto... nesse momento, olharam todos, perplexos, para mim.

- Não se vão embora, por favor! Eu não conto a ninguém o que vi! (se o fizesse ninguém acreditaria, pensei).

- Olá, eu sou a Marianinha! (disse-me uma folhinha laranja). Estas aqui são as minhas irmãs mais novas, a Ísis e a Clarinha.
- Olá, como estás? (disseram as duas em uníssono).
- Ó, é inacreditável, vocês também falam! (exclamei eu).
- Siiim, nós falamos. Que admiração é essa? (retorquiu Sílvia, a mãe árvore.) Mas agora fique bem sossegadinha, porque o outono está a chegar.

E lá recomeçaram a dança.
No final, as folhas despediram-se das árvores e partiram pelos parques e jardins, à procura das crianças que gostam de brincar, fazer texturas, e desenhos com as suas formas.

Entre as centenas de folhas que voavam, vislumbrei uma folhinha que sorria e desejava a todas as pessoas um outono muito feliz!











quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ó maré alta de minh'alma
Maresia no teu olhar
Quem tem o mar a seus pés, tem tudo
Quem não tem, perde-se a sonhar.

Ó verdes campos
Amarelos trigais
Onde mora o meu amor
Que por ele solto os meus ais.





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lá ao fundo fica o meu castelo!

Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!
Não há qualquer portão.

Vamos!
Segue em frente.
Não olhes para trás...
"Para a frente é o caminho!" (Já dizia a minha mãezinha, que Deus a tenha!)

Então, já chegaste?
Já o viste?

É tão fácil descobri-lo!
Ele está aí mesmo, não desvies o olhar.

No meu castelo passa um rio, onde te podes banhar.
A água é cristalina, e os peixes, que mais parecem pássaros, saltitam ao luar.

O meu castelo é feito de nuvens, cor de esperança e girassóis.

O meu castelo,
é da cor do teu olhar!

Há dias sim, há dias não, há dias assim-assim...
Esse é o meu castelo!
 
Uns dias imponente!
Noutros, macambúzio.
Na maioria das vezes, admiravelmente feliz!

Uns dias sim, outros não!
Terá vida?!
O meu castelo de vento...

No entanto, tão meu!
Tão teu!
Tão nosso!


Só tens que caminhar um pouco, se lá quiseres entrar!

Não há qualquer portão!




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

LUCAS

Lá fora chove
Tons de cinza invadem os vitrais
Águas agitam-se
Escorrem pelos beirais
Rubor do esforço
Frio... calor
Quanta ânsia
Quanto amor
Só mais um pouco...
É hora
Chegou a ocasião...
Nasceu...
Ainda agora
Lá fora chove
Cá dentro, inundam-se as faces.
Haja saúde, risos e lágrimas de alegria!
Lucas
Fruto do amor
Dádiva de Deus!
Parabéns, nossos, queridos!
Bem vindos à família dos papás!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016


Larinha, era uma menina alegre.
Tinha olhos estrelados e cabelos, compridos, cor de luar.
Vivia na Estrela do Norte, e todos os dias esperava pelo seu amigo Miguel, para brincar.

Miguel, vivia na Estrela do Sul, e, era normal vê-lo, todos os dias, sentado na sua estrela à espera do vento para apanhar boleia na sua cauda.

O vento era um velho, rezingão. Poucos gostavam dele, e as nuvens temiam-no!
Não era de admirar que tivessem medo; afinal, quando o vento abria a, enorme, boca fazia tudo rodopiar à sua volta.
As nuvens entrelaçavam-se com receio de se separar. Mesmo assim, o vento levava-as para bem longe umas das outras. Fazia-as correr para terras distantes e para junto do arco-íris.
Queria que as nuvens convivessem com todos os habitantes do espaço. Porém, estas, em vez de lhe agradecerem ficavam cinzentas e tristes.

Depois, eu é que sou ventoso! (pensava o vento), logo eu, que consigo fazer dançar até os pés de chumbo!
Só Miguel e Larinha o compreendiam.
Sempre que o ouvia, assobiar, Larinha acenava-lhe sorridente. Sabia que o seu amigo Miguel estava a chegar, e não tardaria estariam juntos e a brincar.

O vento andava sempre apressado, todavia, arranjava sempre um tempinho para levar os seus amigos, Miguel e Larinha, a passear.
Com os dois em cima da sua cauda, deslizava, suavemente. As folhas das árvores bailavam tranquilas à sua passagem. Era dia de descanso no reino da vegetação e até as nuvens podiam dormir descontraidamente.

Felizes, desceram à praia para correr, apanhar conchas e conversar. Larinha fez colares de contas para oferecer às estrelas do mar. Miguel atirava pedrinhas, para as ver deslizar nas ondas do mar. Enquanto se divertiam a brisa, sem nunca desviar o olhar, com enlevo, cuidava dos seus meninos.

Quando a noite chegava, o vento levava-os de novo a casa.
Miguel e Larinha, a cintilar, adormeciam e sonhavam com beijinhos de sol e abracinhos de luar.