quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Larinha, era uma menina alegre.
Tinha olhos estrelados e cabelos, compridos, cor de luar.
Vivia na Estrela do Norte, e todos os dias esperava pelo seu amigo Miguel, para brincar.
Miguel, vivia na Estrela do Sul, e, era normal vê-lo, todos os dias, sentado na sua estrela à espera do vento para apanhar boleia na sua cauda.
O vento era um velho, rezingão. Poucos gostavam dele, e as nuvens temiam-no!
Não era de admirar que tivessem medo; afinal, quando o vento abria a, enorme, boca fazia tudo rodopiar à sua volta.
As nuvens entrelaçavam-se com receio de se separar. Mesmo assim, o vento levava-as para bem longe umas das outras. Fazia-as correr para terras distantes e para junto do arco-íris.
Queria que as nuvens convivessem com todos os habitantes do espaço. Porém, estas, em vez de lhe agradecerem ficavam cinzentas e tristes.
Depois, eu é que sou ventoso! (pensava o vento), logo eu, que consigo fazer dançar até os pés de chumbo!
Só Miguel e Larinha o compreendiam.
Sempre que o ouvia, assobiar, Larinha acenava-lhe sorridente. Sabia que o seu amigo Miguel estava a chegar, e não tardaria estariam juntos e a brincar.
O vento andava sempre apressado, todavia, arranjava sempre um tempinho para levar os seus amigos, Miguel e Larinha, a passear.
Com os dois em cima da sua cauda, deslizava, suavemente. As folhas das árvores bailavam tranquilas à sua passagem. Era dia de descanso no reino da vegetação e até as nuvens podiam dormir descontraidamente.
Felizes, desceram à praia para correr, apanhar conchas e conversar. Larinha fez colares de contas para oferecer às estrelas do mar. Miguel atirava pedrinhas, para as ver deslizar nas ondas do mar. Enquanto se divertiam a brisa, sem nunca desviar o olhar, com enlevo, cuidava dos seus meninos.
Quando a noite chegava, o vento levava-os de novo a casa.
Miguel e Larinha, a cintilar, adormeciam e sonhavam com beijinhos de sol e abracinhos de luar.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
José Filipe era um rapaz alegre e inteligente.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Os pais e os irmãos eram o seu porto seguro, e Vila Real o seu mundo.
Amava a família, e crescia de forma saudável com a natureza; explorava cada um dos seus recantos. Imaginava-se um Indiana Jones, e só regressava a casa quando a mãe o chamava para as refeições.
Contudo, à medida que a juventude se aproximava sentia que lhe faltava algo; não conseguia expressar por palavras o que lhe ia na alma. Gostava de ler e sentia que Vila Real já não lhe chegava. Precisava de mais…
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
- O quê?! (pensava José Filipe). O que me falta?
A sua entrada na faculdade foi motivo de orgulho para os pais, e a Universidade de Lamego ficava perto de casa. Todavia, a mãe sentia um aperto no peito de cada vez que se lembrava que o filho estava a crescer e já não o conseguiria manter muito tempo junto a si.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
Longe de imaginar que a curta distância seria apenas o princípio da nova vida do seu, amado, filho.
José Filipe gostava de conhecer lugares e culturas diferentes, e não era difícil encontrá-lo a ler, ver documentários na televisão ou a navegar na Internet.
Um dia, durante o jantar, comentou com a família que tinha conhecido Zury pela Internet e que gostaria de a conhecer pessoalmente.
Contou com tal comoção… quem o ouvisse perceberia o que lhe ia no coração… a família sentiu, nesse momento, que nunca o conseguiriam demover da sua intenta, e foi dessa forma que o viram partir.
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
Oporem-se seria o mesmo que afastar o filho. Isso era impensável!
José Filipe nunca trouxera dissabores à família. Fora sempre bom menino, bem educado e nunca reprovara na escola.
No dia da sua partida para a Malásia, não houve quem conseguisse conter as lágrimas. Estas caíam, abundantemente, pelos rostos de todos os que se foram despedir de José Filipe.
- Malásia… Zury… meu amor… já falta tão pouco para estarmos juntos (José Filipe não pensava em mais nada). Todo o pensamento se concentrava no encontro de ambos e tinha a garganta embargada pela ansiedade que sentia.
Quando, por fim, foi anunciada a chegada à Malásia, José Filipe ficou petrificado e não se mexeu mais.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
E se… e se… (balbuciava ele) e se Zury não gostar de mim? Perguntou a uma hospedeira de bordo que entretanto se aproximara para o mandar sair do avião.
Hesitantemente desceu do avião, e foi buscar a mala.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Decidiu ligar para casa. Iria dizer aos pais que tinha desistido de conhecer Zu e que só queria regressar e desistir daquela ideia, que percebeu agora, disparatada!
Quando se preparava para telefonar, viu Zury a acenar-lhe. O sorriso dela iluminava todo o espaço e não conseguia ver mais nada, ofuscado com a sua beleza.
Sem pensar, correu no seu encalço e abraçou-a, ali mesmo, sem pudores. Sem medos.
Era outro lugar, outra cultura, outro mundo.
Zury correspondeu ao seu abraço.
Assim ficaram durante alguns minutos, e não se conseguiam apartar. Nem um, nem outro, falaram… as palavras estavam naquele abraço.
José Filipe tinha chegado a casa.
Vila Real não sairia nunca do seu coração. Porém, tinha chegado ao seu lar.
Regressou ao país que o viu nascer uns anos mais tarde.
Depois de vários dias de chuva, Vila Real vestiu-se de azul celeste para o receber.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Não só a família, também os vizinhos e amigos fizeram questão de estar presentes para receber o filho da terra que por todos era amado.
Com José Filipe foram Zury e Andrea, filha de ambos.
Andrea, a princesa! Andrea, fruto do mais puro e belo amor.
José Filipe percorreu metade do mundo para o tornar mais colorido!
Coloriu o mundo com os tons de duas culturas diferentes que se tornaram iguais.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
I
Carolina,
Era uma menina alegre e amiga da natureza.
Não era difícil encontrá-la.
Onde estivesse um animal ferido, lá se encontrava Carolina!
Onde estivesse um animal ferido, lá se encontrava Carolina!
Era uma menina pequena e com um, grande, segredo.
Conseguia falar com os animais e com as plantas!
Mal o sol despontava, Carolina levantava-se da cama. Tomava o pequeno almoço, sorridente, e corria em busca de aventuras.
Um dia...
Enquanto tratava a pata ferida do seu cachorrinho, viu um lindo e colorido pássaro. Diferente dos que habitualmente voavam e pousavam por ali.
Abriu os grandes olhos, sonhadores, para o observar e quase se esquecia do que estava a fazer.
Parecia que a própria Carolina tinha começado a voar.
Parecia que a própria Carolina tinha começado a voar.
Só quando ouviu o seu Bolinha ganir é que desceu à terra e, pedindo-lhe desculpa, voltou a cuidar do seu amigo com todo o carinho. Contudo, logo que terminou, voltou-se para o pássaro, que tinha pousado no ramo de uma árvore próxima.
- Pássaro! Tens, sempre, vontade de voar? Nunca te cansas?
O pássaro respondeu-lhe, com outra pergunta: Tu, queres parar!?
O pássaro respondeu-lhe, com outra pergunta: Tu, queres parar!?
Em seguida viu uma serpente, e sem se aproximar, questionou-a se gostava de rastejar?
A serpente, tal como o pássaro, retorquiu-lhe:
- Gostas que te vejam com repugnância, ou medo no olhar?
A serpente, tal como o pássaro, retorquiu-lhe:
- Gostas que te vejam com repugnância, ou medo no olhar?
Carolina aproximou-se do rio que corria, tranquilamente, e continuou com as suas questões.
Desta vez a um peixe dourado.
- Teu sonho, sempre, foi nadar?
O peixe ficou surpreendido com a questão.
- Há algo para além do rio e do mar?
Desta vez a um peixe dourado.
- Teu sonho, sempre, foi nadar?
O peixe ficou surpreendido com a questão.
- Há algo para além do rio e do mar?
- E tu, árvore, não gostarias de soltar as raízes e passear?
A árvore (com uma gargalhada bem disposta) nem hesitou: Na minha sombra deitam-se poetas e sonhadores. Fazem planos namorados. Nos meus ramos, fazem ninho e chilreiam pássaros.
As crianças, tal como tu, procuram-me, ora, para brincar com as minhas folhas; Ora, para lanchar junto a mim.
Pergunta à tua mãe se ainda se lembra das vezes que subiu para as minhas cavalitas. E do baloiço preso em meus braços... lembrar-se-á?
A árvore (com uma gargalhada bem disposta) nem hesitou: Na minha sombra deitam-se poetas e sonhadores. Fazem planos namorados. Nos meus ramos, fazem ninho e chilreiam pássaros.
As crianças, tal como tu, procuram-me, ora, para brincar com as minhas folhas; Ora, para lanchar junto a mim.
Pergunta à tua mãe se ainda se lembra das vezes que subiu para as minhas cavalitas. E do baloiço preso em meus braços... lembrar-se-á?
II
E assim...
Carolina, espreguiçando-se, foi despertando do seu belo sonho.
Melancolicamente, respondeu para si mesma: tens razão, esqueci-me, fiz uma pergunta bem tonta. - Posso visitar-te, brincar e ler, de novo, junto a ti?
- Claro! (ouviu a voz da árvore intrinsecamente) Estarei sempre cá, para te receber. Não te esqueças de trazer a família e os amigos!
- Até breve pássaro!
- Lamento serpente, continuarei com medo de ti. Porém, não te preocupes, continuarei a lutar para que te protejam. Peixe, és lindo!
Árvore, gosto tanto da tua sombra!
- Lamento serpente, continuarei com medo de ti. Porém, não te preocupes, continuarei a lutar para que te protejam. Peixe, és lindo!
Árvore, gosto tanto da tua sombra!
III
Tomou um banho relaxante e, nesse mesmo instante, decidiu que quando crescesse seria veterinária... ou quereria ser outra coisa?
terça-feira, 24 de novembro de 2015
HÁ UM LOCAL...
I
Há um local…
Ou vários…
Em Portugal…
Por esse mundo fora…
Onde vivem meninos e meninas, como tu, ou se quiseres, como nós!
Só há um pormenor que os distingue de ti, e de todos os meninos e meninas que conheces.
O local onde esses meninos e meninas vivem.
- Consegues imaginar onde viverão?
- Estarás a pensar, por ventura, num local mágico e colorido?!
- Posso garantir-te que, cor há muita! Há cor nos olhos desses meninos e meninas; cor de esperança!
Alguns desses meninos e meninas de que te falo não têm família e outros tiveram que ser retirados aos seus pais, ou mesmo avós, por sofrerem de violência doméstica.
- Já ouviste falar de violência doméstica? Não?!
- Ufa… ainda bem! És um sortudo! (não te esqueças de perguntar a um adulto, para compreenderes o seu significado).
São meninos com sonhos, como qualquer outra criança!
Há meninos que gostam de jogar futebol ou andar de bicicleta. Meninos que gostam de brincar com carrinhos. Há aqueles meninos que gostam de fazer as três coisas!
– E os meninos que querem praticar artes marciais, ou montar a cavalo? Também, os há!
As meninas… Ah!… As meninas!
- Essas! São umas sonhadoras! (Se é que lhes é permitido sonhar, sem que lhes caia uma lágrima).
Sonham (como só as meninas sabem sonhar) que caminham de mãos dadas com os pais, como todas as meninas que veem na escola; que recebem um, enoooorme, sorriso e um chi-coração, bem apertado, quando as levam para casa no final do dia.
Essas meninas gostam de bonecas, de maquilhagem, de fitas, laços e laçarotes. Algumas querem ser bailarinas. Outras desejam uma tiara, simplesmente, para se sentirem princesas ou rainhas no seu castelo encantado.
Esses meninos e meninas têm, apenas, uma televisão na sala. Local onde estão também os poucos livros que existem para ler e viajar.
- Sabias que esses meninos e meninas viajam imenso?
Pois, claro, imaginas que sim! Afinal, nas tuas férias costumas viajar e visitar familiares (como é que eu não tinha pensado nisso)? Bah! Parvoíce minha!
Regressemos ao que te estava a contar!
Esses meninos e meninas fazem viagens fantásticas!
- Acredito piamente, nisso! (pois eu, própria, faço viagens intergaláticas sem sair do meu lugar).
- Grandes sonhadores esses meninos e meninas. Conhecem todo mundo, sem nunca terem saído do mesmo local.
Lembrei-me de uma pergunta: gostas de jogos eletrónicos?
– A maioria desses meninos nunca viu um jogo desses. Inacreditável, não te parece?
- Espera… não tires, já, conclusões precipitadas! Não julgues que esses meninos e meninas não são felizes ou que são uns desgraçadinhos de quem deveremos ter pena… e ficarmos por aí mesmo!
Esses meninos e meninas são muito inteligentes e felizes à sua maneira (se é que há uma maneira para se ser feliz) … Têm sonhos e desejos como tu. A única diferença é que eles esperam por alguém que os vá visitar e que os ame.
- Tu tens quem te ame, e o diga todos os dias, não tens? Tens quem te conforte e te dê presentes. Estarei enganada?!
- Não me enganei? Ainda bem, que não tenho que me preocupar contigo! (tenho mais em que pensar… ora, agora…)
- Alguns desses meninos e meninas andam contigo na escola. É até provável que já tenhas brincado, em algum instante, no parque com algum deles.
- Quando termina a escola e te despedes dos teus amigos e do teu professor, sabes que vais estar com os teus pais ou algum familiar próximo de ti.
- Esses meninos e meninas também vão para casa. Porém, vão para uma casa diferente da tua e da minha. Chamam-lhe Centro de Acolhimento Temporário ou CAT (como lhe queiras chamar).
- Temporário, dizem! Todavia, em muitas situações o sinónimo não se aplica, e esses meninos e meninas ficam lá indefinidamente a crescer e a sonhar.
A esperança espelhada no olhar à espera de serem amados. Enquanto esperam, sonham com aquele brinquedo novo que viram na televisão, ou nas mãos de alguma criança enquanto regressavam da escola para o CAT.
II
A vida ia correndo como todos os dias… (curioso, não é, imaginarmos a vida a correr).
Todavia, um dia uma família apareceu naquele CAT (demorei muito, já sei, só para chegar a este ponto) e mudou a rotina dos meninos e meninas que lá viviam.
O João, a Joana, a Maria e o Francisco.
- Consegues imaginar o que eles levaram?
- Não?
- Pois eu vou dizer-te: levaram risos e sorrisos, muitas e muitas gargalhadas (daquelas bem sonoras, que nos fazem chorar e até doer a barriga de tanto rir).
Uma linda e divertida família! (há quem julgue que o João é palhaço).
- Será? (tenho cá para mim que a sua profissão é outra). Ouvi dizer, por portas travessas, que é da GNR. Huuum… não sei não!
- No tempo dos meus avós, ou seria no tempo dos meus pais (terei assim tanta idade) ouvi falar que os GNR eram muito sisudos. Pelos vistos já não são assim!
Muito se ouve, não é que conheça algum: que são simpáticos e amigalhaços; que gostam de beijos, brincadeiras e abraços.
- Ora bem, desviei-me do que te estava a contar. Voltemos ao que interessa: O João, a Joana e os filhos levaram doze brinquedos novos para as doze crianças que viviam naquele CAT.
Quando se foram embora, saíram mais ricos e felizes do que antes de entrar (dizem eles).
- Eu ainda não vi nada! (é que dá trabalho e aborrecimento quando nos preocupamos com os outros). Ups! (espero que ninguém consiga ler o meu pensamento).
- Nesse, mesmo, dia depois de saírem do CAT decidiram criar uma Rede Informal de Amigos. A Missão RIA! A eles juntou-se o Rião; o peluche da Maria e do Francisco, que se tornou a mascote da Missão.
- E tu, já pensaste em dar um presente, que tenhas arrumado em casa e com o qual já não brinques, a alguma criança que se encontre num CAT? Estás sempre a tempo de fazer sorrir um menino ou menina com o teu gesto!
(os nomes apresentados não são os reais).
Há um local…
Ou vários…
Em Portugal…
Por esse mundo fora…
Onde vivem meninos e meninas, como tu, ou se quiseres, como nós!
Só há um pormenor que os distingue de ti, e de todos os meninos e meninas que conheces.
O local onde esses meninos e meninas vivem.
- Consegues imaginar onde viverão?
- Estarás a pensar, por ventura, num local mágico e colorido?!
- Posso garantir-te que, cor há muita! Há cor nos olhos desses meninos e meninas; cor de esperança!
Alguns desses meninos e meninas de que te falo não têm família e outros tiveram que ser retirados aos seus pais, ou mesmo avós, por sofrerem de violência doméstica.
- Já ouviste falar de violência doméstica? Não?!
- Ufa… ainda bem! És um sortudo! (não te esqueças de perguntar a um adulto, para compreenderes o seu significado).
São meninos com sonhos, como qualquer outra criança!
Há meninos que gostam de jogar futebol ou andar de bicicleta. Meninos que gostam de brincar com carrinhos. Há aqueles meninos que gostam de fazer as três coisas!
– E os meninos que querem praticar artes marciais, ou montar a cavalo? Também, os há!
As meninas… Ah!… As meninas!
- Essas! São umas sonhadoras! (Se é que lhes é permitido sonhar, sem que lhes caia uma lágrima).
Sonham (como só as meninas sabem sonhar) que caminham de mãos dadas com os pais, como todas as meninas que veem na escola; que recebem um, enoooorme, sorriso e um chi-coração, bem apertado, quando as levam para casa no final do dia.
Essas meninas gostam de bonecas, de maquilhagem, de fitas, laços e laçarotes. Algumas querem ser bailarinas. Outras desejam uma tiara, simplesmente, para se sentirem princesas ou rainhas no seu castelo encantado.
Esses meninos e meninas têm, apenas, uma televisão na sala. Local onde estão também os poucos livros que existem para ler e viajar.
- Sabias que esses meninos e meninas viajam imenso?
Pois, claro, imaginas que sim! Afinal, nas tuas férias costumas viajar e visitar familiares (como é que eu não tinha pensado nisso)? Bah! Parvoíce minha!
Regressemos ao que te estava a contar!
Esses meninos e meninas fazem viagens fantásticas!
- Acredito piamente, nisso! (pois eu, própria, faço viagens intergaláticas sem sair do meu lugar).
- Grandes sonhadores esses meninos e meninas. Conhecem todo mundo, sem nunca terem saído do mesmo local.
Lembrei-me de uma pergunta: gostas de jogos eletrónicos?
– A maioria desses meninos nunca viu um jogo desses. Inacreditável, não te parece?
- Espera… não tires, já, conclusões precipitadas! Não julgues que esses meninos e meninas não são felizes ou que são uns desgraçadinhos de quem deveremos ter pena… e ficarmos por aí mesmo!
Esses meninos e meninas são muito inteligentes e felizes à sua maneira (se é que há uma maneira para se ser feliz) … Têm sonhos e desejos como tu. A única diferença é que eles esperam por alguém que os vá visitar e que os ame.
- Tu tens quem te ame, e o diga todos os dias, não tens? Tens quem te conforte e te dê presentes. Estarei enganada?!
- Não me enganei? Ainda bem, que não tenho que me preocupar contigo! (tenho mais em que pensar… ora, agora…)
- Alguns desses meninos e meninas andam contigo na escola. É até provável que já tenhas brincado, em algum instante, no parque com algum deles.
- Quando termina a escola e te despedes dos teus amigos e do teu professor, sabes que vais estar com os teus pais ou algum familiar próximo de ti.
- Esses meninos e meninas também vão para casa. Porém, vão para uma casa diferente da tua e da minha. Chamam-lhe Centro de Acolhimento Temporário ou CAT (como lhe queiras chamar).
- Temporário, dizem! Todavia, em muitas situações o sinónimo não se aplica, e esses meninos e meninas ficam lá indefinidamente a crescer e a sonhar.
A esperança espelhada no olhar à espera de serem amados. Enquanto esperam, sonham com aquele brinquedo novo que viram na televisão, ou nas mãos de alguma criança enquanto regressavam da escola para o CAT.
II
A vida ia correndo como todos os dias… (curioso, não é, imaginarmos a vida a correr).
Todavia, um dia uma família apareceu naquele CAT (demorei muito, já sei, só para chegar a este ponto) e mudou a rotina dos meninos e meninas que lá viviam.
O João, a Joana, a Maria e o Francisco.
- Consegues imaginar o que eles levaram?
- Não?
- Pois eu vou dizer-te: levaram risos e sorrisos, muitas e muitas gargalhadas (daquelas bem sonoras, que nos fazem chorar e até doer a barriga de tanto rir).
Uma linda e divertida família! (há quem julgue que o João é palhaço).
- Será? (tenho cá para mim que a sua profissão é outra). Ouvi dizer, por portas travessas, que é da GNR. Huuum… não sei não!
- No tempo dos meus avós, ou seria no tempo dos meus pais (terei assim tanta idade) ouvi falar que os GNR eram muito sisudos. Pelos vistos já não são assim!
Muito se ouve, não é que conheça algum: que são simpáticos e amigalhaços; que gostam de beijos, brincadeiras e abraços.
- Ora bem, desviei-me do que te estava a contar. Voltemos ao que interessa: O João, a Joana e os filhos levaram doze brinquedos novos para as doze crianças que viviam naquele CAT.
Quando se foram embora, saíram mais ricos e felizes do que antes de entrar (dizem eles).
- Eu ainda não vi nada! (é que dá trabalho e aborrecimento quando nos preocupamos com os outros). Ups! (espero que ninguém consiga ler o meu pensamento).
- Nesse, mesmo, dia depois de saírem do CAT decidiram criar uma Rede Informal de Amigos. A Missão RIA! A eles juntou-se o Rião; o peluche da Maria e do Francisco, que se tornou a mascote da Missão.
- E tu, já pensaste em dar um presente, que tenhas arrumado em casa e com o qual já não brinques, a alguma criança que se encontre num CAT? Estás sempre a tempo de fazer sorrir um menino ou menina com o teu gesto!
(os nomes apresentados não são os reais).
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
RETALHOS
Pedro e Inês conheceram-se na escola, e não mais se largaram. Onde estava um, logo se via o outro.
Pedro, era filho, único, de um casal abastado de Trás-Os-Montes, que viera para o Porto estudar.
Inês, era filha do campo. A tez, trigueira, não enganava a suas origens.
Crescia em sabedoria, alegre e bem educada.
Os pais eram camponeses, humildes e trabalhadores, de Penafiel.
Laboravam com afinco, para que a filha pudesse ter uma boa educação. Começavam a trabalhar mal o sol despontava, e só se iam embora do campo depois do sol se pôr.
Os patrões, um juiz desembargador e a esposa, viviam no Porto e passavam os fins de semana em Penafiel.
Quando, ali, chegavam, a casa estava sempre limpa, fresca e arejada. Flores frescas na jarra e fruta acabada de apanhar por Inês.
Observavam os vastos terrenos, e reconheciam o esforço do casal e a cortesia da miúda, como lhe chamavam. Foi num desses dias, enquanto conversavam que decidiram que era hora de os ajudar!
Iriam levar Inês para o Porto, para que pudesse estudar.
Os seus pais não poderiam ter ficado mais felizes. Deus, tinha atendido as suas preces!
- A nossa filha, vai ser uma senhora! (dizia o pai).
Pedro e Inês andavam sempre juntos.
Ora aos segredinhos, ora com risadinhas... por vezes davam as mãos, outras vezes corriam e abraçavam-se. Faziam-no com, tanta, naturalidade e nem se apercebiam.
Ninguém duvidava do amor que os unia.
O brilho no olhar não escondia o sentimento que lhes ia na alma.
Foi num desses dias, depois das aulas, enquanto falavam distraidamente que a Mariazinha (uma idosa simpáticas) os interpelou:
- Para quando o casório?
- Casório? (espantou-se o Pedro) - não fui convidado! Quem é que vai casar?
- Vocês, claro! - Ora, agora, não me digam que não pensam nisso?!
(Pedro ficou embasbacado)... - Casar, eu?! Oh, Mariazinha, não diga disparates! - Eu nunca vou casar!
(claro está, o Pedro nem raciocinou).
Inês, ao escutar Pedro, desatou a correr e só parou à porta de minha casa.
Recordo, como se fosse hoje!
Abri a porta depois de ouvir alguém chamar-me. Inês chorava copiosamente.
Ao vê-la, assim, estendi-lhe os braços e perguntei-lhe se o mundo iria acabar. Só poderia ser isso (pensei, eu) afinal, Inês sempre fora o reflexo da felicidade!
Ela dirigiu-se ao quarto do meu filho, mais velho, uma criança naquela altura, e deitou-se. Dormiu durante horas.
Os meus filhos ficaram confusos por a verem naquele estado. Estavam habituados, apenas, às suas brincadeiras. Expliquei-lhe que a Inês estava doente e que se eles não fizessem barulho a dor lhe passaria mais depressa. Vejo os dois, como se fosse hoje, sentados no chão a contemplá-la.
Passados uns minutos, saíram pé ante pé. Nesse dia não fizeram qualquer ruído e dormiram juntos.
Durante a noite, eu e o meu marido, fomos diversas vezes ao quarto só para escutar a respiração de Inês.
No dia seguinte, próximo da hora do almoço, Inês veio ter connosco à cozinha.
Tive que a convencer a comer alguma coisa.
Deu uma, pequena, dentada numa maçã e começou a desabafar que o Pedro nunca gostara dela e que não sabia como seria a sua vida sem ele.
Contou a conversa com a Mariazinha e o que Pedro respondera.
Escutei-a, sem qualquer interrupção... e ela lá continuou... dizendo que o Pedro era um menino rico, e ela, (palavras de Inês) - "sou apenas a filha de camponeses"!
- Não! (disse-lhe eu) - Tu és a Inês! - Os teus pais, são pessoas de bem, trabalhadores, de quem te deves orgulhar! - Se estudas é graças ao esforço dos teus pais! - Se o Pedro gostar de ti, e não duvido disso, explicar-te-á o que se passou. - Tu fugiste... simplesmente...
Inês voltou a chorar e soluçava baixinho, para que não a ouvíssemos.
O meu marido foi abrir a porta, a alguém.
Quando me virei para ver quem seria, vi a cara de Pedro. Parecia que alguém tinha morrido. Um rosto e um olhar sofrido...
- Inês (disse, Pedro, receoso) - estás bem? - peço desculpa se te magoei, gosto muito de ti, sabes disso, não sabes?! - sabes que gosto, apenas, de ti. Que é contigo que quero passar todos os meus dias.
- Fiquei paralisado quando fugiste, e imaginei que tinhas ficado ofendida com as palavras da Mariazinha.
Não dormi toda a noite. De manhã não te vi na escola e fiquei aflito.
Podes não gostar de mim, do mesmo modo que eu gosto de ti, mas não suporto ver-te distante.
Pedro ia dizer-lhe que poderiam ser amigos, se fosse esse o seu desejo. Todavia, não teve oportunidade para o fazer.
Inês abraçou-se a ele e choraram e riram e voltaram a chorar os dois
Passaram-se sessenta anos...
Pedro e Inês viajaram e conheceram mais de metade do mundo.
Amanhã serão as suas bodas de ouro.
O neto mais velho levará as alianças. Dizem que provavelmente voltarão a viajar... quem sabe, Las Vegas?!
Viva a ternura, a cumplicidade e o amor!
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
13 ANOS
Pensei dar-te o sol, para que nunca sentisses frio!
Quando me preparava para o ir buscar, lembrei-me: "O sol quando nasce é para todos!"
Depois lembrei-me de ir buscar as estrelas, para que te guiassem nas noites escuras!
Porém, logo, desisti da ideia!
Se as trouxesse, como seria a vida dos outros... sem a sua estrelinha no céu?
Mais tarde, decidi dar-te o mar, para que o pudesses contemplar sempre que desejasses!
Uma vez mais, tive que desistir da ideia.
Que seria das nossas gentes do mar.
Perderíamos a nossa História?!
Ponderei bastante, desejava dar-te algo de valioso neste teu aniversário.
Afinal, fazes treze anos! Treze!
E foi aqui, neste instante, ao lembrar-me deste treze que chegaram, que me recordei... já recebeste o maior presente que te poderíamos dar: O meu coração!
Quando me preparava para o ir buscar, lembrei-me: "O sol quando nasce é para todos!"
Depois lembrei-me de ir buscar as estrelas, para que te guiassem nas noites escuras!
Porém, logo, desisti da ideia!
Se as trouxesse, como seria a vida dos outros... sem a sua estrelinha no céu?
Mais tarde, decidi dar-te o mar, para que o pudesses contemplar sempre que desejasses!
Uma vez mais, tive que desistir da ideia.
Que seria das nossas gentes do mar.
Perderíamos a nossa História?!
Ponderei bastante, desejava dar-te algo de valioso neste teu aniversário.
Afinal, fazes treze anos! Treze!
E foi aqui, neste instante, ao lembrar-me deste treze que chegaram, que me recordei... já recebeste o maior presente que te poderíamos dar: O meu coração!
domingo, 25 de outubro de 2015
Um jovem, oficial, sentia-se doente.
Não conseguia comer, nem raciocinar bem. A cabeça andava sempre na lua.
Se lhe perguntassem, ele responderia que o coração queria fugir do seu corpo, pela forma como saltava.
- O que se passa comigo? (questionava-se).
Uns dias mais tarde, voltou a vê-la do outro lado do passeio. Nesse instante ficou com a respiração suspensa.
Queria chamá-la, correr, ir ter com aquela, bela, jovem. Todavia, não sabia o que lhe dizer e não ousava aproximar-se por temer a rejeição.
De cabeça baixa, foi para o quartel.
Deixou de ser o jovem, oficial, decidido e altivo que sempre fora!
Mal terminava o serviço ia para casa. Deixou de conviver com os camaradas.
Todos o achavam taciturno.
Logo ele, que sempre fora alegre e que todos os dias era o primeiro a chegar à formatura com o seu pelotão.
Não era à toa que os seus instruendos eram sempre os melhores do curso. Sempre os primeiros a iniciar a instrução e os últimos a terminar qualquer treino.
Decidiu tirar uns dias de férias e foi para casa dos pais.
A mãe quando o olhou percebeu que algo não estava bem. Estendeu-lhe os braços e envolveu-o no regaço. O seu filhinho estava doente! (percebeu). Achou-o demasiado magro.
- Mãe estou, um pouco, cansado. - Perdoa-me, tenho que me deitar um pouco e depois conversamos (disse).
- Vai lá, meu querido. Descansa!
Enquanto o filho dormia, a mãe foi a casa da, nova, vizinha.Uma, jovem, médica que estava a estagiar no hospital da Guarda.
-Bastante jovem! (dizia sempre ao seu marido) - Estará preparada para atender a população? - Desconfio muito destes jovens de hoje em dia!
Contudo, naquele dia, o seu menino tinha que ser visto... e não ia esperar que ele se decidisse a procurar ajuda.
A médica ficou um pouco renitente em vê-lo, afinal, era estagiária. Ainda não tinha concluído o curso.
Perante a persistência da vizinha, que não desarmava, decidiu acompanhá-la. Ao mesmo tempo que lhe dizia: a senhora tinha-me dito que o seu filho era militar, agora sei a quem ele saiu!
- Se eu me recusasse a ir vê-lo não me largava a porta, largava?!
Nem tempo houve para qualquer resposta, porque, viram alguém cair na rua e ouviram um gemido agonizante.
O, jovem, oficial tinha-se levantado da cama.
Como não vira a mãe, em casa, decidiu procurá-la. Foi nesse instante, quando abriu a porta da rua, que a viu. Era ela, a moça, com quem sonhava há tanto tempo!
Correram em seu auxílio e de imediato levaram-no para o hospital.
Quando acordou, ela estava a seu lado a sorrir, e a perguntar-lhe como se sentia.
- Estarei a sonhar?! (pensou alto).
A médica sorriu, uma vez mais! O sorriso bailava-lhe no olhar.
- Olá, Martim, como se sente?
- Muito melhor! (respondeu-lhe) - Agora estou bem melhor, senhora doutora, e o rosto que até então estava pálido, ruborizou-se.
- Podes tratar-me por Maria. - Amanhã já poderás ir para casa e eu vou visitar-te. Somos vizinhos e se quiseres seremos amigos.
Desde aí, não mais se largaram
.
O Martim regressou ao quartel.
A Maria terminou o estágio e foi colocada numa unidade de saúde próxima do quartel onde o Martim prestava serviço.
Meses depois casaram e tiveram dois filhos. Primeiramente, uma menina.
Andavam radiantes com a filha e a cegonha decidiu visitá-los, novamente, e tiveram um menino.
Como agradecimento pela dádiva dos filhos, e em homenagem ao amor que os unia, decidiram ajudar todas as crianças com necessidades e que por vezes estão tão próximas de todos nós.
Não conseguia comer, nem raciocinar bem. A cabeça andava sempre na lua.
Se lhe perguntassem, ele responderia que o coração queria fugir do seu corpo, pela forma como saltava.
- O que se passa comigo? (questionava-se).
Uns dias mais tarde, voltou a vê-la do outro lado do passeio. Nesse instante ficou com a respiração suspensa.
Queria chamá-la, correr, ir ter com aquela, bela, jovem. Todavia, não sabia o que lhe dizer e não ousava aproximar-se por temer a rejeição.
De cabeça baixa, foi para o quartel.
Deixou de ser o jovem, oficial, decidido e altivo que sempre fora!
Mal terminava o serviço ia para casa. Deixou de conviver com os camaradas.
Todos o achavam taciturno.
Logo ele, que sempre fora alegre e que todos os dias era o primeiro a chegar à formatura com o seu pelotão.
Não era à toa que os seus instruendos eram sempre os melhores do curso. Sempre os primeiros a iniciar a instrução e os últimos a terminar qualquer treino.
Decidiu tirar uns dias de férias e foi para casa dos pais.
A mãe quando o olhou percebeu que algo não estava bem. Estendeu-lhe os braços e envolveu-o no regaço. O seu filhinho estava doente! (percebeu). Achou-o demasiado magro.
- Mãe estou, um pouco, cansado. - Perdoa-me, tenho que me deitar um pouco e depois conversamos (disse).
- Vai lá, meu querido. Descansa!
Enquanto o filho dormia, a mãe foi a casa da, nova, vizinha.Uma, jovem, médica que estava a estagiar no hospital da Guarda.
-Bastante jovem! (dizia sempre ao seu marido) - Estará preparada para atender a população? - Desconfio muito destes jovens de hoje em dia!
Contudo, naquele dia, o seu menino tinha que ser visto... e não ia esperar que ele se decidisse a procurar ajuda.
A médica ficou um pouco renitente em vê-lo, afinal, era estagiária. Ainda não tinha concluído o curso.
Perante a persistência da vizinha, que não desarmava, decidiu acompanhá-la. Ao mesmo tempo que lhe dizia: a senhora tinha-me dito que o seu filho era militar, agora sei a quem ele saiu!
- Se eu me recusasse a ir vê-lo não me largava a porta, largava?!
Nem tempo houve para qualquer resposta, porque, viram alguém cair na rua e ouviram um gemido agonizante.
O, jovem, oficial tinha-se levantado da cama.
Como não vira a mãe, em casa, decidiu procurá-la. Foi nesse instante, quando abriu a porta da rua, que a viu. Era ela, a moça, com quem sonhava há tanto tempo!
Correram em seu auxílio e de imediato levaram-no para o hospital.
Quando acordou, ela estava a seu lado a sorrir, e a perguntar-lhe como se sentia.
- Estarei a sonhar?! (pensou alto).
A médica sorriu, uma vez mais! O sorriso bailava-lhe no olhar.
- Olá, Martim, como se sente?
- Muito melhor! (respondeu-lhe) - Agora estou bem melhor, senhora doutora, e o rosto que até então estava pálido, ruborizou-se.
- Podes tratar-me por Maria. - Amanhã já poderás ir para casa e eu vou visitar-te. Somos vizinhos e se quiseres seremos amigos.
Desde aí, não mais se largaram
.
O Martim regressou ao quartel.
A Maria terminou o estágio e foi colocada numa unidade de saúde próxima do quartel onde o Martim prestava serviço.
Meses depois casaram e tiveram dois filhos. Primeiramente, uma menina.
Andavam radiantes com a filha e a cegonha decidiu visitá-los, novamente, e tiveram um menino.
Como agradecimento pela dádiva dos filhos, e em homenagem ao amor que os unia, decidiram ajudar todas as crianças com necessidades e que por vezes estão tão próximas de todos nós.
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